Feio, fraco e frio…como o tempo
G.D. BRAGANÇA, 0 – F.C. VINHAIS, 0
Jogo no Estádio Municipal de Bragança
Árbitro: Pedro Mendes, do Porto, auxiliado por Miguel Meireles e Carlos Martins.
Cartão amarelo: M.Brandão (20 m.), Lino (35 m.), Roland (69 m.), Pedrinha (72 m.), Luís (90+4 m.) e Zé Luís (90+6 m.).
G.D. Bragança: Rui Parada; Pedrinha, Lino, Pardal e Rui Gil; Tony (Lixa, 76 m.), Luís Rodrigues, Rui Borges (Pires, 45 m.) e Carlitos (cap.); Everton e Ademar.
Treinador: Lopes da Silva.
F.C. Vinhais: José Luís; Gualter, Luís, Daniel e José Maria; Jorge Reis (Ângelo, 89 m.), Abílio (Márcio, 68 m.), Néné (cap.) e Ronaldo; M.Brandão e Roland (Pedro, 90+5 m.)
Treinador: Zeca Lúcio.
Depois de na primeira volta o G.D. Bragança ter vencido em Vinhais por um resultado expressivo (0-3) e tendo em conta as aspirações dos brigantinos, esperava-se que na capital do distrito, na segunda ronda da prova, estes conseguissem mais um resultado positivo.
Só que no futebol, como noutras modalidades desportivas, não há vencedores antecipados. Os resultados devem ser conseguidos dentro do relvado, no decorrer dos jogos, com muita entrega, determinação e objectividade. Foi o que não demonstrou o G.D. Bragança, na tarde do passado Domingo, frente ao F.C. Vinhais.
E o facto de ter realizado, a meio da semana (quarta-feira), a partida que, afinal, havia sido adiada devido à neve, frente o Cerveira, que acabou por vencer por 2-0, não poderá servir de desculpa para uma exibição tão pouco convincente do grupo orientado por Lopes da Silva.
Se frente ao Cerveira, a formação brigantina já tinha deixado indicações de que não se apresenta na forma mais desejada, a exibição protagonizada frente aos homens de Zeca Lúcio apenas veio confirmar essa ideia.
Com efeito, não obstante as alterações operadas no conjunto titular, umas por opção (Karaté, Eurico, Pires e Marco Mobile estavam no banco) e outras por lesão ( Fernando Pires e Nelson estavam na bancada), aqueles que jogaram estiveram aquém das expectativas. Claro está, sem menosprezar o valor demonstrado em campo pelo F.C. Vinhais, que parecia ter a lição melhor estudada. Nem o facto de actuarem num campo relvado penalizou os forasteiros.
Uma equipa como a do G.D. Bragança, que liderou a respectiva série durante a primeira volta e que aposta na subida, actuando em casa frente a um adversário teoricamente mais fraco, deve apresentar-se com uma postura mais ambiciosa e sustentada, de modo a conseguir os três pontos e, consequentemente, não se afastar do líder, o S.C. Mirandela, que, nesta jornada, conseguiu mais um triunfo.
É certo que Lopes da Silva tem um plantel limitado. Mas o que se viu, sobretudo em termos ofensivos, frente ao Vinhais, foi muito pouco. E o resultado está á vista. Contra factos não há argumentos.
A continuar assim, não será fácil ao G.D. Bragança conquistar uma posição classificativa que lhe permita regressar ao escalão secundário.
Embora de sol, a tarde apresentou-se bastante fria. Mas o espectáculo futebolístico a que os espectadores (poucos tratando-se de um derby) assistiram, não deu mesmo para aquecer. Foi feio, fraco e frio…como o tempo. Uma partida sem golos e com pouca “chama”.
Pena é que os brigantinos não tenham mostrado os atributos já evidenciados noutras partidas. Neste encontro, revelaram pouca capacidade ofensiva e falta de chama ganhadora, dentro de uma modéstia algo confrangedora.
Por sua vez, o F.C. Vinhais, que já na deslocação a Mirandela havia conseguido o empate, fez o que pode para não sair derrotado, Mas pouco mais do que isso. Aliás, pode dizer-se que o equilíbrio foi a nota dominante e as oportunidades de golo iminente praticamente não existiram.
Se nuns períodos os visitados foram mais ofensivos, sobretudo derradeiros minutos da contenda, também os visitantes tiveram momentos em que criaram relativo perigo junto à baliza de Rui Parada.
Dada a forma como o desafio decorreu, o empate sem golos acaba por se aceitar. Mas não deixa de ser um resultado bastante penalizador para as aspirações do G.D. Bragança.
Para o Vinhais, que tinha perdido (0-2) em casa, na jornada anterior, frente ao Mirandela, conseguir pontuar no ambiente de um forte candidato à subida é sempre muito motivante e importante para tentar evitar a despromoção.
Neste contexto, se para o Bragança foi um empate com sabor a derrota, para o Vinhais terá sido precisamente o contrário. Mas o futuro o dirá.
Neste derby, uma nota positiva para a forma como Pardal se entregou ao jogo e outra negativa para o “teatro” dos atletas do Vinhais, nos minutos finais da partida, ao simularem lesões que não terão sido tão graves como quereriam demonstrar. Enfim, uma questão de posturas, valores e formações desportivas…
Sem revelar grande qualidade, o trio de arbitragem realizou um trabalho à altura do desafio, fraco.Nuno Pires
anunopires@portugalmail.pt
Fonte:
Data: 2006-03-07