Burro mirandês não recebe subsídio
Os subsídios que o governo tinha prometido para os criadores do Burro Mirandês foram cancelados. Uma medida recebida com tristeza pelos criadores da raça, e com indignação pela Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA), que acusa o Ministério da Agricultura de estar a “condenar” a preservação do burro de raça mirandesa. Esta entidade já fez saber que não se resignará com a decisão e está disposta a accionar todos os meios jurídicos para reverter a situação. A intenção é dada a conhecer num comunicado no site oficial da Associação.
A AEPGA manifesta a sua profunda indignação pelo comunicado enviado no dia 14 de Fevereiro, pelo Ministério da Agricultura, cancelando o pagamento das medidas agro-ambientais cujas primeiras candidaturas foram realizadas em 2005. Com o sucedido, “todo o trabalho desenvolvido pela AEPGA nos últimos 4 anos fica seriamente comprometido, uma vez que esta nova situação criará uma grande desmotivação dos criadores do Burro de Miranda e as acções futuras da AEPGA junto dos criadores da raça, cruciais para a salvaguarda da Raça Asinina de Miranda, deixarão de ter aceitação por grande parte dessas pessoas”, refere o comunicado.
Trabalho de 4 anos posto em causa
De acordo com dados da mesma associação, os subsídios correspondentes a 2005 rondavam os 139 mil euros, o que equivale a 174 euros por cada animal.
Neste sentido, a AEPGA diz ter realizado um trabalho “notável e exemplar” durante a campanha de subsídios de 2005, motivando cerca de 800 pessoas (de entre um universo de 1200 criadores existentes) a aceitarem e assinarem um compromisso com o INGA, que visava a preservação e a conservação da Raça, pelo período de 5 anos (2005-2010).
Agora, quando os produtores entendiam o subsídio como certo, o governo faz um retrocesso no prometido, causando uma enorme desmotivação nos criadores da raça.
A AEPGA acusa o governo de votar ao descrédito total a Associação junto dos criadores e prevê também que o seu campo de acção esteja comprometida pelo previsto défice de apoios físicos e financeiros derivados dos seus associados, espelhando o descrédito a que esta associação foi “empurrada”.
Acrescenta ainda que “em causa está também todo o plano de desenvolvimento rural através das medidas agro-ambientais que a União Europeia tem vindo a apoiar para o Nordeste Transmontano”. Além disso entende que não será possível “conservar a Raça Asinina de Miranda se esta resolução for adoptada”.
Face a esta situação e a previsíveis cenários, a AEPGA assegura que não pode compactuar nem aceitar, de forma alguma, esta nova situação e “desencadeará todos os meios judiciais e administrativos que estiverem ao seu alcance para reverter a situação e fazer valer os direitos dos criadores do Burro de Miranda”.
E.P
Fonte:
Data: 2006-03-07