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 » Diversos :: As casas da memória

Há um cubo de vazio onde esteve a última casa de Almeida Garrett. Propriedade de um senhor que, por acaso, é ministro da Economia, a decisão camarária, não contraditada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, de se alhear da patrimonização do imóvel, originou um movimento de repúdio liderado por José-Augusto França.
 
Nos seus Exercícios de Passamento (2005), que recenseei no Expresso, França dedica um capítulo ao Divino Garrett, antecipando a ruína dessa memória, por que lutou durante um ano. Já não acreditava, pois, que a agitação de consciências surtisse em país apático, desde que não haja escândalo ou vedeta de telenovela; e, em conversa particular, deixa um único elogio a Santana Lopes, que susteve o camartelo, num dos seus derradeiros actos primo-ministeriais. França devolveu a medalha de ouro com que o município o galardoara.
Não quis estar, em 16 de Fevereiro, no Grémio Literário (de que Garrett foi um dos fundadores), onde o Professor moderava mesa-redonda sobre a “Casa de Garrett”. Nessa manhã, arquitecto do IPPAR contactou a Faculdade de Letras de Lisboa e um colega remeteu-mo, para informações sobre as andanças do escritor-inquilino, de modo a vice-presidente, Ana Tostões, justificar a atitude do Instituto. Enumerei uma vintena de poisos. A análise dessa dispersão exigia longo artigo.
Resumi a matéria em 1 de Março, na quarta-feira, ao meu caro Professor, enquanto fazíamos horas, na Biblioteca Nacional, para receber Jorge Sampaio. Era o último acto cultural do Presidente, nos 210 anos da instituição animada por Frei Manuel do Cenáculo. Também aí, vamos entrar numa idade das trevas. (Mas, espero, sem o esbanjar de medalhas e de comendadores por encomenda, que mais parece estarmos no Liberalismo, a fazer barões onde há um imbecil.)
O senhor Manuel Pinho («um ministro de ar duvidoso», dizia ele, ou, para rimar, «um sujeito de ar suspeito») tem todo o direito, rimava eu, de fazer do edifício o que bem entender. E nem me pergunto se vai repor a placa que a Câmara Municipal instalou na primitiva fachada em 1865. No bicentenário do nascimento, em 1999, não se pensou no assunto; se, desde 9 de Dezembro de 1854, não se foi além de mera placa, mal vai o interesse por João Baptista.

E a casa do Abade?

Ora, porquê uma casa? E porquê aquela? De facto, o país ainda não percebeu o interesse turístico e cultural de uma casa, idealmente, casa-museu. Ou, mesmo, de uma simples inscrição. Por essa Europa, regista-se na pedra qualquer acontecimento alusivo ao local. A noite em que Beethoven dormiu em Budapeste está documentada na respectiva morada. Há ruas que fazemos de nariz no ar. Um café ao lado torna-se lucrativo. Ou seja, é um jogo de sinergias, como agora se diz. Eu gostaria que houvesse uma Casa Garrett no Porto, onde nasceu (e só há um lembrete; mas, é verdade, os eleitores não o apreciavam muito...), e, de preferência, em Lisboa, onde vagueou. Pouco me interessa, todavia, que seja na última, embora amorosamente cuidada, onde só viveu 39 dias – e me inspirou, até, peça de teatro –, quando, no seu caso, se o Teatro Nacional de D. Maria não for suficiente (também dito Casa de Garrett), há dezenas de outras, algumas sobrevivas, onde, desde 1821, viveu durante mais tempo, onde escreveu os seus textos fundamentais e teve os raros momentos de felicidade doméstica. Fui lendo a lista ao arquitecto do IPPAR; objectivamente, a da Rua Saraiva de Carvalho não tinha mais prerrogativas do que outras.
O momento teria sido bom para, perdida a última batalha, lançar ideias sobre vários artistas a exigirem atenção; no caso concreto, encontrar outra onde tivesse vivido, se a questão é física – mesmo que, depois, a edição crítica patine (a de Garrett lá vai...), caso de Camilo, com a sua bela casa em São Miguel Ceide, e, atrás, um centro cultural no traço de Siza Vieira.
Sejamos realistas: um espaço físico é bom; mais importante ainda, a vida do autor na escola e na sociedade, por meios, hoje, imateriais, onde reside a verdadeira residência da maioria. A memória passa por aqui.
Olhando para nós: o que é feito da casa do Abade de Baçal? Como aproveitar, para lá do onomástico em estabelecimentos de ensino e ruas, as virtudes de um Paulo Quintela e outros? Se a Universidade de Coimbra toma este como patrono de prémio nacional de tradução, porque não reunir-se à iniciativa? Quando temos, na Universidade de Lisboa (e, do mesmo género, na Nova de Lisboa, na do Algarve...), um Centro de Tradições Populares, que tanto precisa do húmus tradicional bragançano, porque não coligar-se o IPB ou um centro cultural a essa investigação?
Há questões perversas. Esta, por exemplo: sabe uma região (ou, tão-somente, uma cidade) aproveitar minimamente as poucas casas e fundações que vai havendo, com iniciativas regulares? Duvido. Mas gostava de ser contrariado.

Ernesto Rodrigues



  Fonte:

  Data: 2006-03-07

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