Tive a oportunidade de estar na abertura do Congresso do Desporto no passado dia 12 de Dezembro no Porto, mais propriamente na Exponor, em Matosinhos, um congresso que se quer descentralizado, pelo que estive, também, a 4 de Fevereiro, numa sessão que teve lugar no nosso distrito, em Vinhais. Fazendo a ponte entre as duas sessões que presenciei chego á conclusão, ou melhor, confirmo que este nosso desporto não é uma realidade diferente daquilo que são as assimetrias deste país e a conclusão é simples: onde existem votos há desenvolvimento, onde não os há o investimento é uma miragem. Por isso os problemas do nosso desporto são muito concretos mas as causas não estão obviamente no desporto em si, nem na sua organização, mas a montante. Os problemas são políticos, porque são estruturais e têm fundamentalmente a ver com a ocupação do território. Quando os políticos deste pais investiram na chamada politica do betão em detrimento da politica do desenvolvimento da inteligência, esse investimento foi feito segundo o critério da pressão dos votos, agora que o litoral já está bem servido e que esse investimento podia chegar a nós com a criação de infra estruturas de primeira necessidade, incluindo as desportivas, o país muda de rumo e vai apostar-se agora no “conhecimento”. Se estivéssemos num pais de desenvolvimento harmonioso e de politicas de coesão territorial, em que o investimento no distrito de Bragança se aproximasse do investimento médio em Portugal, eu teria a certeza de que a politica do betão deveria desde já parar para partirmos para outra, mas assim, embora acredite no actual Governo e na liderança de José Sócrates, temo que esta mudança anunciada faça com que voltemos a cair no esquecimento. Devemos ter sempre em mente que somos sobreviventes num território em processo de desertificação humana, processo esse que o Estado ainda não conseguiu travar, por incompetência ou falta de vontade e também por muita culpa nossa que nos vamos sempre contentando com uns paliativos que nos distraem da verdadeira doença, no entanto, dentro das condicionantes existentes, temos que reflectir sobre os problemas e tentar encontrar soluções para eles, os homens do desporto não são de ficar de braços cruzados, foi o que se tentou fazer em Vinhais. Há que encontrar soluções tendo em conta as transformações da nossa sociedade e da realidade que é a actual pirâmide etária no distrito de Bragança. Temos que reflectir sobre que tipo de desporto é possível ter na nossa região. O que ouvi suscita-me algumas interrogações: O desporto federado e o desporto escolar são incompatíveis? Será que é mau a grande maioria dos nossos praticantes preferir o Futsal? Será que o Futsal não cumpre o objectivo de desenvolvimento das capacidades motoras? Será que as nossas autarquias poderão continuar a suportar o défice de investimento do Estado no desporto, como também já o fazem na Educação e na Saúde? Será que as grandes empresas nacionais, como por exemplo os Bancos, com muitos milhões de euros de lucros, não deveriam ser sensibilizadas para patrocinar o nosso desporto amador tendo em conta os recursos que ainda vão buscar aos nossos imigrantes e que são investidos de modo a criar riqueza no litoral? Será que os exames e a assistência médica existente são suficientes? Será que as estruturas estatais no distrito de Bragança a quem cabe coordenar o desporto, não esquecendo o escolar, estão atentas a este Congresso e não descuram a oportunidade de apresentar as suas profundas reflexões sobre os caminhos a seguir? Vamos aguardar pelo fim do Congresso e pela divulgação das conclusões para depois tirarmos, também nós, as nossas conclusões.