Aldeias de Bragança vão pagar água
Algumas aldeias do concelho de Bragança vão começar a pagar água. A medida vai ser implementada ainda antes do início do próximo verão, e, segundo a autarquia, esta é uma forma de controlar o consumo de água.
Prevendo um cenário de seca ainda mais grave que no ano anterior, a Câmara Municipal de Bragança (CMB) quer começar a implementar medidas que evitem um cenário de ruptura. O pagamento de água é uma delas.
O vice-presidente da autarquia, Rui Caseiro, explica que o processo está a ser feito juntamente com as juntas de freguesia e vai desenvolver-se de forma gradual. As primeiras localidades a receberem facturas são as consideradas problemáticas, ou seja, as que tiveram problemas de abastecimento no Verão passado. O responsável diz que é necessário as pessoas perceberem que a água deve ser utilizada para fins domésticos e não para outros fins como a rega, uma situação que ocorre com alguma normalidade no mundo rural.
Ainda segundo o mesmo responsável, as receitas devem reverter a favor das juntas de freguesia. Rui Caseiro assegura que a água é o problema prioritário na autarquia e que toda a população deve colaborar na poupança de água. O cenário de seca é grave, a reposição de água nos solos ainda não foi feita e a hipótese de racionamento de água não está posta de parte.
O responsável espera não chegar a essa situação limite, “ mas se for necessário avançamos com a medida”, admitiu. Face a esta situação, o caso da barragem de Veiguinhas voltou a surgir como a “única solução para o problema de abastecimento de água a Bragança”.
As declarações foram feitas à margem da 11ª “Assembleia Jovem” cujo tema foi precisamente “ A água, um bem precioso”. A acção, que decorreu no auditório da Escola Superior de Tecnologia de Bragança, serviu como acção de sensibilização dos mais pequenos para as medidas de poupança do líquido no dia a dia. Participaram na Assembleia 12 escolas do 1º Ciclo do ensino básico de Bragança.
Barragem de Parada com utilização múltipla
A Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-montes (DRATM) quer construir a barragem de Parada com a ajuda do próximo quadro comunitário de apoio e está a estudar a possibilidade da sua utilização para abastecimento público.
O director, Carlos Guerra, diz que o objectivo é concluir o plano de barragens na região e Parada é um desses projectos. Recorde-se que aquela infra-estrutura, planeada apenas para regadio da zona envolvente, tem o projecto e o plano de impacto ambiental concluído há bastantes anos.
Carlos Guerra diz que Portugal não é um país rico e que, por isso, “não se pode dar ao luxo de ter utilizações singulares. Por isso, vamos estudar a possibilidade da sua utilização múltipla”, afirma. O dirigente diz que o projecto actual vai ser estudado pelos técnicos para analisarem a possibilidade de abastecimento de água às populações locais.
Quem não abdica do projecto é também a Câmara Municipal de Bragança que entende que esta é uma infra-estrutura de vital importância para o concelho. O vice-presidente, Rui Caseiro, diz que se trata de uma zona de forte produção agrícola e que precisa da barragem “o mais depressa possível”. Atendendo ao facto de que todo o projecto está pronto a arrancar, o dirigente diz que ainda não está construída “por falta de vontade politica”.
Face às declarações do governo numa forte aposta nos planos de regadio, Rui Caseiro acredita que a albufeira vai ser construída “porque se assim não for este governo mostra que não cumpre aquilo que promete”.
E.P.
Fonte:
Data: 2006-02-21