Vários presidentes de junta e seis polícias foram constituídos arguidos no âmbito de um mega processo relacionado com a posse ilegal de explosivos. São mais de 70 os implicados neste caso, cuja investigação durou cerca de 15 meses. Pedreiras, autarquias, fábricas, paióis, revendedores e cidadãos que lidam com este material, foram alvo de visitas por parte da Policia Judiciária. Ao todo foram apreendidas 21 toneladas de explosivos em situação ilegal, em vários locais. As primeiras apreensões ocorreram a 30 de Março do ano passado, quando a PJ apreendeu 785 quilos de explosivos num contentor, em Pedras Salgadas. O processo estava no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar, mas o grande número de arguidos e a enorme quantidade de explosivos apreendidos, levaram a que passasse para a alçada do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP). O caso mostra sobretudo o “descontrolo total” da comercialização dos explosivos em Portugal. Cerca de 75% das pedreiras investigadas na região de Trás-os-Montes estavam em situação ilegal e por isso impedidas de trabalhar com explosivos.
Para contornar esta situação os proprietários solicitaram á respectiva junta de freguesia um atestado que confirmasse, por exemplo que o material, por exemplo para a abertura de caminhos ou de um poço. Depois era solicitada à Policia, a entidade fiscalizadora, que atestasse os trabalhos. Para além disso foram registados pedidos de uma tonelada de explosivos, em empreitadas onde não foram gastos mais de cem quilos. Aparentemente os restantes 900 quilos seriam para vender no mercado paralelo. É por isso que autarcas e polícias que fiscalizavam a actividade foram constituídos arguidos. No caso dos seis agentes, foram alvo de uma denúncia anónima e terão sido apanhados em escutas telefónicas, que os terão posto sobre a suspeita de terem recebido benefícios de um industrial de explosivos de Trás-os-Montes. Os seis elementos são parte de um grupo de dez que foi ouvido no DIAP, do Porto.
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Data: 2006-02-15