Os doentes cardíacos de Bragança são discriminados face aos do litoral. Quem tem um enfarte, ou um acidente vascular cerebral e esteja na região está mais perto da morte do que se estivesse no Porto ou em Lisboa. O hospital de Bragança não tem serviço de cardiologia e para além disso não existe uma rede de cuidados pré-hospitalares, que nestes casos, pode ser determinante. Os enfartes e os AVC´s são mesmo a principal causa de morte em Portugal. Berta Nunes, a coordenadora da Sub-região de Saúde diz que o estado está a descriminar os transmontanos e é preciso criar as condições de igualdade, o que agora não sucede.
No hospital de Macedo há dois cardiologistas, mas o serviço não existe. São os únicos especialistas no distrito. A região não tem uma rede de cuidados pré-hospitalares, com a necessidade vital de ter duas VMERS. Berta Nunes explica que quem, por exemplo no meio rural, tiver um enfarte grave está sujeito a um conjunto demorado de paragens, primeiro no centro de saúde e depois nos hospitais, para seguir para Vila Real. A coordenadora da Sub-região admite que neste tipo de patologia, o que se passa no distrito desafia as normas, que dizem que um minuto pode fazer a diferença. Esta responsável adianta ainda que para além deste problema o distrito tem um outro, não há nenhuma unidade de fisiatria, para que possam ser prestados cuidados pós-enfarte ou AVC. Só há um fisiatra no hospital de Macedo, mas Berta Nunes acredita que agora o centro Hospitalar do Nordeste, este serviço pode vir a ser criado.
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Data: 2006-02-10